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Entre o poder de compras e a solidariedade

Depois de um ano de crise o Brasil volta a crescer, e o termômetro que vai medir o tamanho desse crescimento será o período natalino. Esse ano, com adiantamento do décimo terceiro salário e o “vale compras” cedido pelo governo federal através da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os carros, a linha branca (geladeira, fogão e máquina de lavar), os materiais de construção e agora os móveis, é esperado um crescimento no volume de vendas no mercado.

Outro fator que aumentou bastante a confiança dos lojistas foi o aumento do poder aquisitivo do consumidor, além do aumento da oferta de crédito. Devido à soma de todos esses fatores, os economistas prometem que esse ano o comércio terá um crescimento nunca antes visto, pois, os anos de comprar lembrancinhas acabaram. Esse ano é um ano de comprar presentes de verdade.

Para se ter uma idéia da capacidade de consumo para o natal desse ano, só a redução do IPI terá um impacto de R$ 210 milhões na economia. O adiantamento do 13º salário dos aposentados representará uma injeção extra em torno de R$ 8,3 bilhões de reais.

O aquecimento da economia é algo animador, visto que o Brasil foi um dos últimos países a entrar na crise e um dos primeiros a sair. Administrar bem a crise, garantir a confiança do investidor externo, dar uma aula de economia aos países do primeiro mundo, além de terminar o ano consumindo dignamente; tudo isso mostra a nossa capacidade de superar as dificuldades e de prosperar.

Contudo, nem tudo são flores. Enquanto o governo demonstra uma grande capacidade na esfera economia, ele parece demonstrar uma total incompetência na esfera social. O natal também pode ser um bom termômetro para medir a solidariedade das pessoas, e esse ano é visível o aumento de projetos e iniciativas que visam ajudar os menos favorecidos.

Esse aumento no número de projetos sociais demonstra a falta de capacidade do governo de tirar as pessoas da miséria, mas também mostra que o povo é capaz de trazer para si a responsabilidade sobre o próximo. Se de um lado temos o descaso do governo, por outro, temos mais projetos voltados à arrecadação de doações para as pessoas em situação de risco social, além de cidadãos cada vez mais preocupados e dispostos a ajudar o próximo.

No Brasil o espírito natalino realmente pode ser sentido. A correria das Black Friday’s e o consumismo desenfreado terminam quando na porta das lojas tem alguém estendendo à mão pedindo um trocado para o pão. Porque ninguém consegue dormir direito sabendo que enquanto se farta de panetone com queijo do reino, alguém está na rua pedindo um pão francês com manteiga para o Papai Noel.

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